segunda-feira, 04 de maio de 2026 às 16:25

Publicado em 16/07/2025 às 01:02

Atualizado em 16/07/2025 às 01:03


Em uma noite marcada por indignação, resistência e cobranças duras à Prefeitura de Rondonópolis, representantes comunitários e trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (CODER) participaram de uma reunião histórica nesta terça-feira (15), denunciando o processo de liquidação da estatal e o completo abandono institucional. A protagonista da noite foi Lorraine Rodrigues, representante dos trabalhadores, cuja fala emocionada e contundente ecoou como um grito de socorro e justiça.

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A reunião foi aberta às 19h36 e reuniu lideranças comunitárias de diversos bairros, incluindo presidentes de associações dos bairros : Cascalhinho, Rui Barbosa, Pedra 90, Jardim Brasília, Pindorama, Santa Marta, entre outros. O objetivo: unir forças contra o fechamento da CODER, empresa que há décadas cumpre papel fundamental nos serviços públicos da cidade.

“Não somos massa de manobra. Somos trabalhadores concursados.”

Lorraine Rodrigues foi a primeira a falar e não poupou críticas à condução do processo de liquidação. Denunciou atrasos salariais desde janeiro de 2025, ausência de repasses do INSS mesmo com desconto em folha, além de ausência total de um plano de reestruturação ou salvamento da empresa.

“Estão querendo nos apagar sem nem dizer por quê. Os critérios de demissão são obscuros. Estamos sendo coagidos, ameaçados, muitos adoeceram física e emocionalmente A CODER nunca parou um único dia até a primeira paralisação”, declarou Lorraine.

A representante ainda questionou a veracidade das informações divulgadas pela mídia e acusou a imprensa de manipular dados para “assustar a população e manchar a imagem da empresa”. Segundo ela, a dívida da CODER, inicialmente estimada em R$ 262 milhões, caiu para R$ 240 milhões após auditoria interna, mas nenhum documento oficial com dados detalhados foi apresentado aos trabalhadores até agora.

Silêncio do Executivo

Desde que foi anunciado o processo de liquidação, Lorraine relata que os trabalhadores tentam, sem sucesso, dialogar com o prefeito Cláudio Ferreira (PL). Uma comissão foi eleita para negociar, mas até agora sequer houve resposta oficial.

“Fizemos nossa parte, tentamos o diálogo, buscamos alternativas. Mas o prefeito se recusa a nos ouvir. Estamos sendo tratados como invisíveis”, afirmou.

Além disso, Lorraine levantou uma questão fundamental: de quem é a culpa? Ela defende a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a fundo se os recursos deixaram de ser repassados pela Prefeitura ou se houve má gestão interna na CODER.

“Se houve erro, que se investigue. Mas que não penalizem os trabalhadores honestos por falhas alheias. Nós trabalhamos, e a população pagou seus impostos.”

Representatividade Popular em Defesa da CODER

Diversos líderes comunitários expressaram apoio à causa dos trabalhadores e manifestaram preocupação com o impacto do fechamento da estatal nas comunidades. Para muitos bairros, a CODER é a principal prestadora de serviços básicos, como limpeza, manutenção e obras.

“A CODER é o braço operacional da Prefeitura nas periferias. Fechá-la é abandonar o povo mais humilde”, afirmou Wagner, presidente do bairro Jardim Brasília.

A Luta Continua

A noite não trouxe soluções, mas fortaleceu o movimento de resistência. A fala de Lorraine Rodrigues não foi apenas um relato, mas um manifesto político e social em defesa da dignidade de mais de 600 trabalhadores que agora enfrentam a incerteza de seus futuros.

A mobilização continua. Os trabalhadores prometem intensificar os atos públicos e pressionar o Executivo Municipal por transparência, diálogo e justiça.



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