Publicado em 03/07/2025 às 16:40
O jornalista Luiz Gonzaga Neto, que pediu demissão da Secretaria de Comunicação (Secom) da Câmara de Cuiabá, alegando que estava em “ambiente hostil”, expôs os motivos da decisão. Segundo ele, uma “minoria que não se importa com a verdade” motivou sua saída do cargo.
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“Cansei de lidar com gente que falta com a verdade e é capaz de qualquer coisa em benefício próprio, não importa se vai atingir outras pessoas e faz isso sobre a proteção divina ou sobre a transparência de um vidro. Cansei de ter que explicar óbvio, como o fato de respeitar princípios éticos do jornalismo, principalmente se tratando de plataformas digitais de um órgão público. Como disse um vereador aqui dessa Casa, não adianta tentar explicar para quem não quer entender. O problema não vem de fora, vem de dentro para fora”, disse Gonzaga, na tribuna livre, na manhã desta quinta-feira (03).
“É importante ressaltar, não é a maioria, é uma minoria que é assim. A maioria quer trabalhar muito. Quem não se enquadra, não precisa ligar para o que estou dizendo. É uma minoria barulhenta, não só do ponto literal com gritaria, mas barulhenta no silêncio das conspirações. Minha principal missão era proteger a imagem da Casa, tentei mas não consegui. Tem coisas que o dinheiro não compra: a paz”, completou.
Ontem (02), após reunião com a presidente da Câmara Paula Calil (PL), Gonzaga concordou em permanecer no cargo até final deste mês. No entanto, recuou e anunciou que já não responde mais pela Secom.
“A presidente pediu para permanecer até o final de julho, aceite de pronto, mas depois de refletir em casa, cheguei à conclusão que não é viável. Por isso, essa despedida de cabeça erguida com a sensação de dever cumprido. Presidente, pode publicar minha exoneração. A partir de agora, eu não respondo mais pela Secom da Câmara. Estarei na Câmara na condição de imprensa, de repórter. Vou voltar perguntas como sempre fiz a vida toda”, pontuou.
Como principais feitos nos seis meses à frente da Secom, Gonzaga lembra que publicou mais de 860 matérias sobre a atuação dos vereadores e melhorou a relação da Câmara com a imprensa cuiabana. Além disso, diz que conseguiu destravar a licitação de R$ 15 milhões, para publicidade, que foi anulada pela gestão anterior da Mesa Diretora.
No discurso, Gonzaga disse que conseguiu conter a repercussão da Operação Perfídia da Polícia Civil, que resultou no afastamento dos vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB), por suspeita de envolvimento em esquema de propina. Neste sentido, afirma que a credibilidade perante os veículos de comunicação foi mais importante que recursos financeiros.
“A Casa foi alvo de uma operação policial que afastou dois vereadores e qual foi o tamanho da repercussão? Muita gente nem lembra. Sabe por que? Porque a gente não negligenciou a informação e quando você tem credibilidade, sua apuração ganha valor, não preço. Isso o dinheiro não compra, repito, nem dinheiro a gente tem aqui na Câmara”, enfatizou.
#rdnews apurou que Gonzaga ficou incomodado ao ser acusado de dificultar a divulgação de matérias de vereadores da oposição e de comandar milícia digital. A falta de respeito de assessores parlamentares, que fazem algazarra no espaço destinado à imprensa, inclusive atrapalhando entrevistas, também teria motivado o pedido de demissão.
Agora, a Mesa Diretora, que é 100% feminina, busca uma mulher para substituir Gonzaga. Alguns nomes já estão sob avaliação.
Essa é a segunda mudança no secretariado de Paula Calil. Fabiana Orlando deixou a Secretaria de Comissões Permanentes, sendo substituída pelo advogado e influencer Rafael Ixpio. DEMISSÃO NA SECOM Cansei de lidar com gente que falta com a verdade, dispara Gonzaga Cansei de lidar com gente que falta com a verdade, dispara Gonzaga Mesa Diretora, que é 100% feminina, busca uma mulher para substituir Luiz Gonzaga Neto Jornalista Gonzaga na tribuna livre
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